Opinião: Processo da Apple contra a Samsung tem como alvo a Google
Mais uma vez a Apple avançou contra seus rivais na “arena móvel”, acusando-os de violar suas patentes. Desta vez o alvo da companhia é a Samsung – especialmente sua linha de smartphones e tablets Galaxy. E a empresa de Steve Jobs não está medindo palavras. Na denúncia contra a rival, os advogados da “maçã” escreveram:
“Em vez de buscar desenvolvimento independente de produtos, a Samsung escolheu copiar descaradamente a Apple e sua inovadora tecnologia, interfaces de usuário diferenciadas e seu elegante e distinto design de embalagem de produto, em violação aos valiosos direitos de propriedade intelectual da Apple.”
A Samsung também não é primeira fabricante de aparelhos Android processada pela Apple. A companhia de Cupertino já entrou com processos contra a HTC e a Motorola. E ainda assim, o processo espertamente se esquiva de qualquer ataque contra a fonte da plataforma Android – a Google – com quem a Apple tem alternado uma relação fria e quente ao longo dos últimos anos.
Matador de cópias
Em contraste ao processo em andamento contra a HTC, que lida com patentes relacionadas à interface com o usuário, arquitetura subjacente e hardware, a ação da Apple contra a Samsung parece focar mais no visual e comportamento do produtos: tudo desde o formato do produto até ícones e a embalagem estariam violando as patentes dos icônicos iPhone, iPod Touch e iPad.
A Apple nunca foi tímida para falar sobre sua propriedade intelectual: durante o lançamento do iPhone em 2007 o CEO da empresa, Steve Jobs, disse após sua descrição da interface multitouch do aparelho: “cara, como nós patenteamos isso!”. E durante a conferência para divulgar seus resultados financeiros do primeiro trimestre fiscal de 2009 o COO Tim Cook (agora no lugar de Jobs) afirmou que a companhia gostava de competição, mas que não suportaria ter sua propriedade intelectual “copiada” e usaria “quaisquer armas que estejam à nossa disposição”, frases que na época pareciam direcionadas para o então não-lançado Palm Pre.
A pergunta é: por que a Samsung? O Android e outros sistemas operacionais baseados em telas touchscreen, como o webOS da HP, estão no mercado há alguns anos. A razão principal, ao menos baseado no que li do processo, é que aparentemente a Apple acredita que esse é um caso sólido, pois os produtos da Samsung – que incorporam sua própria interface chamada TouchWiz – estão tão próximos dos da “maçã” que a empresa de Jobs alega que eles querem deliberadamente causar confusão.
A Samsung, por outro lado, não está disposta a ser processada calada – a companhia baseada na Coreia do Sul afirmou que pretende “reagir fortemente” à ação da Apple. E também há um ponto a mais nesse caso em especial: a Apple é uma grande compradora de painéis LCD e semicondutores da Samsung (leia-se: memória flash NAND e até os processadores A4 e A5) que são utilizados na produção de aparelhos como – sim, você acertou – o iPad e o iPhone. Esse processo é apenas o próximo passo em uma negociação que azedou? Ou seria, como sugere o site especializado Apple Outsider, “o último movimento em um jogo crescente para irritar o rival”?.

Novo processo da Apple mira a linha Galaxy da Samsung
Que Google?
Mas há um problema maior aqui, e esse é o elefante na sala: a Google. Tendo mirado HTC, Motorola, e agora a Samsung, a Apple voltou seus esforços contra os três maiores fabricantes de smartphones Android – e ainda assim nada contra a fonte da plataforma. De algumas maneiras, a ação da “maçã” contra suas rivais parece tão fragmentada quanto o sistema da Google.
O Android continua como o maior rival da Apple no mercado móvel, em termos de percepção entre os consumidores pelo menos. É difícil não enxergar esses processos contra os parceiros da gigante de buscas como uma tentativa da Apple de puxar o tapete da Google, tudo isso enquanto mantém a aparência de uma relação cordial com a desenvolvedora do OS.
Para quem compara incessantemente a batalha “iOS vs. Android” como uma nova versão do conflito da Apple com a Microsoft, é tentador ver isso como um exemplo de como a empresa de Steve Jobs aprendeu com seus erros. Em 1994, no auge da guerra de plataformas de computadores, a Apple tentou processar a Microsoft por violação de seus direitos sobre o “visual e comportamento” do sistema e acabou perdendo. A partir de uma perspectiva legal, a base do processo contra a Samsung é muito diferente da ação contra a Microsoft.
Mas de um ponto de vista estratégico, talvez a Apple tenha decidido que tem menos a ganhar em cortar a cabeça do monstro do que cortando seus braços e pernas aos poucos. A companhia pode não acreditar que um caso contra a Google seria tão forte quanto esses contra as fabricantes – ou talvez a empresa de Jobs esteja apenas esperando pela hora certa para mirar seus esforços na fonte de sua competição.
Dados capturados: Apple e Google vão depor no Congresso dos EUA
Executivos da Apple e da Google terão que depor no Congresso dos Estados Unidos no próximo mês, por conta de acusações de que os smartphones com seus sistemas operacionais capturam dados de usuários sem autorização. A informação foi confirmada por dois senadores na quinta (28/4).
“Tenho o prazer de informar que as duas empresas confirmaram que mandarão representantes para depor sobre a questão relacionada à tecnologia móvel e a privacidade”, declarou o senador Al Franken.Segundo ele, anunciou que a iniciativa de ouvir as empresas é o primeiro passo na investigação promovida pelo Congresso norte-americano relacionada aos problemas divulgados nos últimos dias.
Na semana passada, dois consumidores que vivem nos Estados Unidos entraram na Justiça contra a Apple por conta da revelação, de que a empresa captura dados de localização de usuários do iPhone e do iPad.Vikram Ajjampur, da Florida, e William Devito, de Nova York, entraram com seus processos na sexta (22/4), acusando a Apple de fraude e práticas de negócios enganosas, entre outras violações de leis estaduais e federais.
O processo foi iniciado dois dias após pesquisadores da área de segurança terem divulgado informações sobre o fato de iPhones e iPads capturarem diariamente dados dos usuários que mostram a localização dos proprietários, registrando seus passos. As informações são gravadas em um arquivo não criptografado e que pode ser obtido com certa facilidade, segundo os especialistas.
Não adianta desabilitar...?
Nos últimos dias, a Apple tem sido alvo de críticas de grupos que defendem a privacidade, por conta da coleta de dados automaticamente via iPhone. Para evitar esse rastreamento, bastaria desativar o serviço de localização.
O problema é que isso não é o suficiente. É o que mostrou um teste feito pelo Wall Street Journal.??Segundo a publicação, o smartphone coleta e armazena dados de posicionamento mesmo quando o recurso de localização está desligado. Com a ajuda de um especialista em segurança, o jornal desabilitou os serviços de localização e verificou o que era capturado pelo aparelho, movendo o iPhone para outros pontos. Depois de algumas horas, o arquivo mostrava todos os pontos.
Pressionada, a Apple finalmente se manifestou, no dia 27/4: “Ele não deveria fazer isso. É um bug (falha), que planejamos corrigir em breve (nas próximas semanas)”
Na semana passada, o deputado republicano Edward Markey solicitou que o Congresso dos Estados Unidos investigue o serviço de localização do iPhone, afirmando que a captura de dados pode colocar crianças em risco, pois sequestradores poderiam “hackear” seus aparelhos e usar as informações.
Já o senador Al Franken pediu explicações não apenas à Apple, mas também à Google, que também está sendo acusada de coletar dados sem autorização. O político quer que as empresas informem o que capturam, por quanto tempo armazenam os dados e o que fazem com eles.
